segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Colóquios á Sexta

Imagens do Colóquio á Sexta do passado dia 30 de Novembro.
 Padre  Jardim Gonçalves.
Biblioteca Municipa de Setúbal
 
 
 
 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Colóquios á Sexta

A Comissão Diocesana de Justiça e Paz de Setúbal, volta a realizar uma série de conferências, designadas por COLÒQUIOS  À  SEXTA.

Iniciamos este ciclo com:

 

 
 
 
 
Vem e traz um amigo
a tua presença é importante

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

OS CRISTÃOS E A CRISE



J Paz

Comissão Justiça e Paz

Diocese de Setúbal

OS CRISTÃOS E A CRISE

O nosso País atravessa um dos períodos mais dramáticos da sua vida pós 25 de Abril com a crise económico-financeira actual que em nome da ameaça de bancarrota oprime os portugueses com uma austeridade asfixiante.

No distrito de Setúbal, onde vivem cerca de 850 mil pessoas (8% da população residente em Portugal) as situações seguintes espelham aspectos desta crise nacional e europeia

 Cerca de 53 800 trabalhadores, em Abril de 2012, estavam inscritos nos Centos de Emprego do Distrito.

 Mais de 18 000 destes trabalhadores tinha menos de 35 anos.

 Estima-se que os desempregados não inscritos nos Centros de Emprego representam mais de 25% dos que estão inscritos.

 A precariedade no emprego atinge mais de 50 000 trabalhadores (muitos trabalhadores por conta de outrem assumem-se como trabalhadores por conta própria e passam os chamados recibos verdes).

 Os jovens até 35 anos representam 50% dos trabalhadores com vínculos precários.

 Cerca de 23 500 desempregados inscritos nos Centros de Emprego não recebem qualquer subsídio.

 Cerca de 150 mil pensionistas auferem pensões médias de 392 Euros

 21.000 pensionistas por invalidez recebem pensões de 392 Euros, em média

 61.000 pensionistas de sobrevivência recebem em média 238,34 Euros

 Estima-se que um em cada quatro idosos se encontre em risco de pobreza.

 Nos Centos Paroquiais que prestam apoio social a crianças e idosos, aumenta o número de utentes que não tem possibilidade de pagar a sua comparticipação nos medicamentos e consultas médicas.

 Muitas Paroquias têm intensificado as campanhas de recolha de bens, sobretudo alimentares, para os que necessitam.

O grande drama do Distrito de Setúbal é, no entanto, o desemprego, com todo o role de consequências que arrasta: depressão social, pessoas entregues a si próprias sem perspectivas de futuro.

E as falências, com lojas fechadas e ruas desertas provocam ambientes de desolação e desespero.

Esta situação que vivemos no distrito de Setúbal (e também em todo o Portugal), é fruto dum Sistema economicista globalizante, baseado numa ânsia de lucro a qualquer preço, reinante na União Europeia, no Mundo em geral e, por consequência, em Portugal.

O povo português que pacientemente tem resistido a todas as mudanças restritivas que lhe têm sido decretadas atingiu o seu limite e veio para a rua dizer "basta!"

E os cristãos ?Como reagem?

Reconhecendo que "é nas situações de tensão que a Igreja deve estar presente, mesmo que tenha de assumir riscos…(1) , a Conferência Episcopal Portuguesa elaborou um documento (2) doutrinal bem inserido na situação nacional actual concluindo pela necessidade de "uma revolução cultural" que vise a mudança das pessoas e das estruturas organizativas por que nos regemos.

A Comissão Nacional Justiça e Paz, (3) publicou uma exaustiva análise da situação portuguesa e da acção dos seus governantes e aponta múltiplas falhas á sua acção á luz da Doutrina Social da Igreja e, duma maneira geral, da ética social.

Os cristãos têm que participar, nessa "revolução cultural" de que falam os bispos, criando no dia á dia um intenso e puro espírito de solidariedade para com todos, e em especial para com os mais necessitados.

Qualquer que seja a sua situação no mercado de trabalho - trabalhadores ou patrões – devem sentir um forte apelo à entreajuda e, em especial no que respeita à função social das empresas.

A Comissão Justiça e Paz de Setúbal, face à situação na nossa Diocese, solidariza-se com todos aqueles que sofrem com as medidas de austeridade quando elas ultrapassam o limite do razoável, com os que se revoltam por sentirem que tais medidas não são aplicadas a todos conforme as suas possibilidades, com aqueles que vivem o desespero do desemprego e mesmo a fome por falta de apoios sociais.

A CDJP de Setúbal faz um veemente apêlo a que os cristãos marquem a diferença nas nossas comunidades.

E não esqueçamos que qualquer mudança só é exequível quando muitos se associam com o objectivo de provocar tal mudança – e os cristãos têm de estar presentes pois estão unidos no Corpo Místico do Cristo que deu a vida por Amor, pelos pobres e excluídos.

Neste dia em que se inicia o Ano da Fé devemos recordar, sobretudo aos cristãos, que a Fé que dizem professar os impele a intensificar o testemunho do Amor aos outros homens seus irmãos. E como recordava S.Tiago (4): "De que aproveita irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salva-lo? Se um irmão ou irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: ide em paz e tratai de vos aquecer e de matar a fome, mas não lhes dais o que é necessário, de que lhes aproveitará?. Assim também a fé, se ela não tiver obras está completamente morta."

E lembremos, por último, S.João que chama mentirosos aqueles que dizem que amam a Deus e não amam os seus irmãos! (5)

(1)Palavra do antigo Arcebispo católico de Argel – H.Teissier
(2)"Missão da Igreja num País em Crise" – Cof Episcopal Portuguesa
(3) "Os números e as pessoas" Comissão Nacional Justiça. e Paz
(4) Evangelho de S.Tiago (2,14-18)
(5) Evangelho de S.João
 
 
Setúbal, 11 de Outubro de 2012
O Presidente da Comissão Diocesana Justiça e Paz
Mário da Silva Moura

segunda-feira, 11 de junho de 2012

3º Coloquio á 6ª pelo Dr. Juan Ambrósio

Teve lugar na passada sexta-feira o último Colóquios á 6ª desta série.
Como vem sendo habitual cá estamos com três filmes que tentam dar uma ideia do que se passou na passada sexta-feira.  Desta vez queremos pedir desculpa pela qualidade do trabalho, mas o "Equipamento Amador" por vezes falha.
Pensamos no entanto que quem não esteve neste colóquio ficará com uma ideia do que se passou.








Aqui fica o nosso trabalho esperando que todos possam ter uma ideia do que se passou e esperando que para a próxima serie de colóquios á 6ª possamos contar com a sua presença.


domingo, 27 de maio de 2012

Coloquios á 6ª Opinião do público que assistiu

Aqui fica a opinião de algumas pessoas que assistiram a este colóquio `6ª.
Não podiamos deixar de publicar esta quarta parte, até porque os comentários que foram feitos, tinham que ter a divulgação que merecem.
Aguardamos os vossos comentários.





Próximo Clóquio á 6ª
Dia 8 de Junho pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Setúbal, Sobre o Tema.
Empenhamento político/a defesa do bem comum.
Pelo  Dr. Juan Ambrósio
Vem ......e traz um amigo.

C. D. J. Paz de Setubal

Segundo Colóqui á 6ª Frei Bento Domingues

Para quem não esteve na passada sexta-feira dia 25 de Maio na Biblioteca Municipal de Setúbal, aqui fica os filmes da palestra do Frei Bento Domingues.
                        






Quem quiser o DVD total do que se passou, pode enviar mail para:

Próxim Coloquio  6ª  dia 8 de Junho, no mesmo local e á mesma hora.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Como funciona o Vaticano ?


Frei Bento Domingues O.P.
Foi a Europa que forneceu a trama interior do que esteve em causa no Vaticano II.
 1. Consta que, pouco tempo depois de o Papa João XXIII ter chegado ao Vaticano, perguntaram-lhe: quantas pessoas trabalham aqui?  Resposta: mais ou menos metade...
Aumentou o vencimento dos trabalhadores e, de vez em quando, ia dando uma mãozinha aos mais sobrecarregados. Introduziu mudanças no protocolo, trocando o estilo hierático de Pio XII por um trato mais distendido, modesto e bem-humorado. Ao fazer a barba, teve a inspiração de convocar um novo concílio. Anunciou-o no dia 25 de Janeiro de 1959. Foi uma bomba. Com razão. Depois da declaração do primado do Papa e da sua infalibilidade, no Vaticano I (1869- 1870), certos teólogos tinham divulgado a ideia de que doravante não haveria mais concílios, pois o Papa estava em condições de resolver sozinho todos os problemas. Como, porém, esse concílio do séc. XIX não tinha sido oficialmente encerrado — as tropas italianas invadiram Roma em 1870 —, parece que Pio XI, no começo dos anos 20, e Pio XII, nos princípios dos anos 50, teriam tido a ideia de o completar. E o que agora se diz, sobretudo quando se pretende desvalorizar o atrevimento de João XXIII, ao mostrar pelas decisões e pelas atitudes
que não seria mais um Pio, nem um continuador do Concílio do Vaticano I. Queixam-se alguns de que o aldeão de Sotto Il Monte, Ângelo Giuseppe Roncalli, não tinha um projeto, desenhado com clareza, para a reunião mais vasta da história do mundo. Na opinião de Karl Rahner, com este concílio teria começado a terceira idade na história do cristianismo. A primeira foi a do breve período da Igreja judeo- cristã ; chegou ao fim quando S. Paulo abriu a sua pregação aos pagãos. A segunda partiu daí e veio até ao Vaticano II : foi a época da helenização e da Igreja europeia. A terceira é a do tempo pós-conciliar, a da Igreja universal.
2. As periodizações são sempre ambíguas. Como observa O’Malley, o Vaticano I foi muito eurocêntrico. As questões nele debatidas tinham a sua origem na Europa ocidental: O império romano, a reforma gregoriana, a Reforma e Contra-Reforma, as Luzes, a Revolução Francesa, o Risorgimento a perda dos Estados pontifícios, o nazismo, o Holocausto, a democracia cristã etc. Foi a Europa — os seus centros de interesse, a herança da sua história — que forneceu a trama interior do que esteve em causa no Vaticano II. As narrativas do Concílio refletem quase exclusivamente intervenções de europeus, debatendo questões que sugiram na história europeia. Tudo isso é verdade, mas só em parte. Com o Vaticano II, enquanto o Papa João foi vivo, a completa liberdade de expressão abriu todas as janelas, em todas as direções. Durante algum tempo, o horizonte do modo de funcionar do Vaticano era o mundo todo. Chegavam vozes ou rumores de todo o lado e a ressonância era universal, embora, em muitos casos, ainda só pudesse ser virtual.
3. A quem o censurava por não se intrometer nos debates conciliares, para defender os documentos das comissões preparatórias, João XXIII respondia: "Estamos em Concílio, não em audiências papais!" Morreu com um cancro, muito antes de ver o desfecho da aventura que lançou aos quatro ventos. Em 1959, estava eu em Génova, vestido com o hábito dominicano, a caminho de Roma. Um velho anarquista italiano veio ter comigo, entregou-me um panfleto, explicando: "Tu ainda és muito novo,
mas deves saber que é urgente colocar uma bomba em Moscovo, outra em Washington, a do Vaticano será a primeira a rebentar, é o próprio João XXIII." Em Florença, no Convento de S. Marcos, encontrei Giorgio La Pira — acabava de chegar de Moscovo —, levou-me à praça onde queimaram Fra Girolamo Savonarola para rezar pela sua canonização e pela reforma da Igreja. Contei-lhe o encontro de Génova e observou-me que as palavras acerca do Papa eram a pura verdade. Depois do Concílio, a desejada reforma da Cúria vaticana nunca foi levada a cabo. João Paulo I (1912-1978), o "papa do sorriso", manifestou o seu empenhamento na sua urgente realização. O seu pontificado durou apenas um mês. Apareceu morto. As versões apresentadas das causas e circunstâncias dessa morte nunca foram totalmente esclarecidas.
Nos anos 80 - 90 foi varrida a teologia crítica europeia, a Teologia da Libertação da América Latina e desqualificada a teologia africana e asiática, a chamada “teologia contextual" do Terceiro Mundo, e sufocado o movimento das comunidades de base.
 A visão e prática de uma hermenêutica planetária do Concílio ficaram adiadas. Veremos se a Assembleia Geral dos Bispos dedicada à Nova Evangelização a conseguirá retomar.
Não será altura de mudar de alto a baixo o funcionamento do Vaticano ?
 Aos muitos sinais de crise juntaram-se manifestações e crispações, desde a Áustria até à Bélgica, acusando o funcionamento da Cúria. Vieram, depois, os boatos sobre atentados ao Papa e as queixas de Bento XVI de que está rodeado de lobos. Não será altura de mudar, de alto a baixo, o funcionamento do Vaticano? Mas saberão os católicos como é que ele funciona?
__________________________________
 Escreve ao domingo  
 Público 11-03-2012


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Primeiro Coloqui á 6ª Com a participaçao da Drª Manuela Silva

Para quem não esteve na Biblioteca Municipal de Setúbal na passada Sexta-feira dia 11 de Maio, aqui ficam os filmes do que lá se passou.






Aqui fica pois o que se passou e foi dito.
Aguardamos os vossos comentários,


Próximo Cioloquio á 6ª  dia 25 de Maio
com a participação do Frei Bento Domingos,
Não faltes e traz um amigo


terça-feira, 1 de maio de 2012

CONCÍLIO VATICANO II…50 anos abertos à Esperança! Colóquios à 6ª!...




    Colóquios  à  6ª!...
 para todos os interessados na reflexão dos documentos
conciliares, nos dias de hoje.  

Constituição Pastoral sobre a Igreja e o
mundo contemporâneo
“Gaudium et Spes”

    “ As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres,
    e de todos os que sofre, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo
    e nada há de verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração”
                  GS, 1

           - a 11 de Maio:     “A vida económica e Social”
                                        Drª. Mª. Manuela Silva.
          - a 25 de Maio:     “A dignidade da pessoa / a condição humana, hoje.”
                                      frei Bento Domingues, op.
         - a 8 de Junho:      “Empenhamento político /  a defesa do bem comum”
                                     pelo Dr. Juan Ambrósio.
       Na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 21,30 h.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um escrito muito importante para se perceber o que se passa na Guiné-Bissau


Porque Considero importante para compreender o que se passa "Hoje" na Guiné-Bissau,  aqui fica o escrito enviado por  Luis Nabais, ainda que como ele diz, sem pedido de autorização para enviar a amigos.

Vitor  Pereira


UM ESCRITO DO EX-EMBAIXADOR NA GUINÉ, DR.FRANCISCO H DA SILVA.

MUITO BOM

(AO FRANCISCO, AINDA QUE SEM PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA ENVIAR A AMIGOS, QUE POR LÁ ESTIVERAM,UM ABRAÇO)

LUIS NABAIS

Para compreender a situação actual na Guiné-Bissau, algumas ideias-chave, numa brevíssima síntese:

Num Estado-falhado sem quaisquer tradições democráticas dignas desse nome, estamos perante uma reacção intempestiva por parte de um sector da caserna, maioritariamente balanta, a atitudes mais musculadas de Carlos Gomes Jr., ex-Primeiro-ministro e candidato presidencial mais votado, designadamente quando clamava por uma expressiva presença militar angolana  no terreno, como garante (ou bóia de salvação) das débeis instituições guineenses. Na Guiné-Bissau, o Poder está, como sempre esteve, nos canos das espingardas e os balantas (30% da população), arredados do Poder, a bem ou a mal, desde os tempos da luta e no período pós-independência, por "Nino" Vieira e pelos seus próximos, aspiram a aí ascenderem em pleno e a beneficiarem materialmente de todas as benesses de que outros já usufruíram, no passado. Kumba Ialá, balanta, ex-Presidente da República, afastado por um golpe de Estado, deverá, agora, sentar-se na cadeira presidencial (ou se não o puder fazer já, fá-lo-á por interposta pessoa, aguardando melhores dias) através deste novo golpe de Estado. Vingança do chinês. O caminho, de ora em diante,  estará, pois, aberto.
No país miserável que é a Guiné-Bissau, os militares golpistas vão poder comer não só as migalhas sobrantes do fraco orçamento guineense e do que houver da cooperação internacional, mas, principalmente, do lucrativo tráfico de droga. O PAIGC já não existe há muito tempo, desde que foi desmantelado por "Nino" Vieira e esfrangalhado pela tropa. A sua pretendida recomposição com Malan Bacai Sanhá e, agora, com Carlos Gomes Jr. não foi mais que uma miragem. Pretende renascer das cinzas e resistir. Conseguirá? Nesta matéria, tenho as mais fundadas dúvidas


A aposta decidida no tribalismo, que, aliás, não é de hoje, num país, do tamanho da Bélgica, com mais de 30 etnias e 22 línguas nacionais, tal como preconizada por Kumba Ialá, António Injai e pelos golpistas dará origem, a médio ou a longo prazo, a um inevitável banho de sangue. 

E quem é que tem influência na Guiné-Bissau, Portugal? A França? Ou a Colômbia dos senhores da droga?

 O tempo, como é óbvio, confirmará ou infirmará estas teses e dará resposta às questões suscitadas.
--

L.Nabais

sábado, 7 de abril de 2012

O CONCILIO VATICANO II


O Concilio Vaticano II faz 50 anos e nele se depositaram enormes esperanças de que fosse o início duma nova época para a Igreja Católica.
Neste aniversário de tão importante acontecimento gostaríamos de fazer algumas considerações.
O Concilio, a sua preparação e os seus documentos que progressivamente iam vendo a luz do dia, foram prejudicados no nosso país pelo regime político totalitário que nos governava à época com uma censura rigorosa que não permitia sequer que tais documentos fossem discutidos ou comentados – nessa época era director dum jornal e senti bem essa inibição.
Mas, alguns anos depois, pela revolução do 25 de Abril, foi abolida a censura e os portugueses ficaram livres de ler e comentar toda a documentação saída do Concílio.
E agora, passados mais de trinta anos sobre esta liberdade de pensamento, parece-me oportuno apreciar o que o “Vaticano II” mudou na nossa Igreja, ao apreciarmos as suas “bodas de ouro”.
E numa análise retrospectiva deste tempo decorrido, sinto com mais evidência as “travagens” de João Paulo II, do que os “avanços” que os documentos conciliares deviam ter provocado na vida dos cristãos.
Para alem dos aspectos formais – importantes certamente – da celebração da eucaristia em português e do celebrante encarando os seus fieis ou duma maior liberdade no vestir dos sacerdotes, vejo que a Igreja, 50 anos passados, continua uma instituição monárquica e não democrática, que as mulheres que têm conquistado a sua autonomia na sociedade continuam a ser descriminadas, que o Índex continua a existir bem com teólogos a serem penalizados por delito de opinião e vejo um muito débil sinal dum comportamento caritativo que devia ser forte e evidente, sinal de Amor transformador como foi a vida de Jesus – o Verbo encarnado –, um evidente testemunho de dádiva “até ao sangue”.
Nesta quadra quaresmal, nós, cristãos, devíamos rever em profundidade a nossa maneira de servir a comunidade e – no nosso caso português (e não só!) – debatermos porquê, e como, chegou a nossa sociedade a esta situação de individualismo egoísta, de mercantilização quase total da vida, de carência ou desvalorização do AMOR cristão, e de exclusão e pobreza de tantos.
Se “o outro, nosso irmão” fosse o centro da vida da sociedade em que temos vivido, estaríamos certamente à beira de celebrar, hoje, uma verdadeira PÁSCOA.

Mário da Silva Moura