A crise que avassala o nosso mundo actual, de norte a sul, de leste a oeste, crise que é predominantemente económico – financeira, mas também política e social, motiva os mais díspares pareceres de gestores e peritos em finanças.
Mas esta crise, com falências, baixas tremendas da produtividade e das vendas, com quedas nas bolsas pulverizando fortunas, desorganiza e lança num tremendo marasmo toda a vida económico-financeira dos países, mesmo os mais ricos e aparentemente bem estruturados.
Os decisores das políticas económicas, os orientadores das políticas dos governos, os banqueiros e os administradores não parecem saber bem como resolver a situação em agravamento permanente e contínuo.
Os meios de comunicação escrita, falada e de imagem enchem os nossos ouvidos e olhos com as notícias da degradação progressiva da crise – ninguém pode ignorá-la!
Os cidadãos, as pessoas com rosto e com vidas concretas, todos nós, para alem de todo este ruído, sentimos a vida a degradar-se, os rendimentos a diminuir, as despesas a aumentar, e pior do que tudo isso, o desemprego a crescer a ritmos alucinantes e a pobreza a aumentar atingindo mesmo quem não esperaria vir a ter tais problemas.
Os cidadãos, as pessoas com rosto e com vidas concretas, todos nós, temos a obrigação de pensar, tentar compreender e procurar soluções para esta situação dramática.
Será tudo isto apenas fruto da ganância de alguns ou da corrupção que invadiu a sociedade como um cancro?
Será afinal apenas uma falência dos mecanismos de vigilância e reguladores da vida pública?
Será apenas uma consequência desse fenómeno que dá pelo nome de globalização que ultrapassou valores e perdeu a noção do social?
Será que o capitalismo que tinha triunfado sobre o socialismo, entrou por caminhos ínvios e errados sob a batuta de organismos internacionais como o FMI, a OMC e outros?
Será que o mercado, o motor do lucro e a produtividade sempre crescente, obrigando a um consumismo que ultrapassa as verdadeiras necessidades das pessoas, não conseguiram, por deficiente distribuição, fazer mais do que aumentar o número dos ricos e fazer um aumento desmesurado da pobreza?
Será que liberalismos, neo-liberalismos e terceiras vias, só agravaram esta caminhada para o abismo onde se está caindo?
Não sabemos responder a muitas destas interrogações, mas sabemos que as especulações financeiras, certos proteccionismos alfandegários, subsídios e preços fictícios, a existência de paraísos fiscais e os chamados “of shores”, a par da real ganância, individualismo e corrupção de muitos administradores e políticos, nos lançou nesta…crise.
Não sabemos como resolver muitos destes problemas, mas sabemos que o trabalho tem de voltar a ter a primazia sobre o capital, sabemos que toda a organização financeira que facilite negócios ilícitos deve ser banida ou fortemente vigiada, sabemos que a distribuição da riqueza deve ser a primeira preocupação de qualquer tipo de organização que venha a construir-se, sabemos que o abismo entre salários de quem gere e de quem trabalha tem de ser diminuído, limitando os réditos de quem gere e de quem chefia e pagando com justiça a quem trabalha, sabemos que o sistema que se organize não pode permitir a acumulação da riqueza e deve proporcionar a sua boa distribuição pela força do trabalho manual ou intelectual, sabemos que tudo deve ser realizado no respeito pela dignidade humana e pela defesa da sobrevivência da natureza da nossa “aldeia global”.
Caberá aos humanistas, aos economistas, aos políticos, aos gestores e a todos nós contribuirmos para criar um mundo bem diferente daquele em que temos vivido e agora atravessa a crise de que se fala e que todos nós sentimos.
Esta crise é uma verdadeira oportunidade de mudança, é mesmo uma exigência de mudança – não podemos consentir que se tente remediar ou reconstruir o sistema que nos conduziu até aqui – é uma exigência e uma necessidade que se construa um novo paradigma para que possa existir um outro tipo de mundo!
***
A Comissão Justiça e Paz da Diocese de Setúbal que tem por missão lutar contra tudo o que ameaça a Paz e a Justiça analisa esta situação que na nossa Diocese vai provocando também falências e aumentando o desemprego, e portanto a pobreza e o sofrimento, vem apresentar esta reflexão com a finalidade de chamar a atenção dos cristãos para esta realidade pungente e apelar ao contributo de todos para a sua possível solução.
E vem lembrar que a Doutrina Social da Igreja, por intermédio de várias encíclicas dos últimos Papas e dos documentos saídos há décadas do Concílio Vaticano II, apresenta ideias bem definidas para uma organização da nossa sociedade dentro dos princípios evangélicos – nelas se declara que os bens da Terra são para todos os seres viventes, que o trabalho é que produz riqueza e dá origem ao capital, que todos os cidadãos devem ser solidários participando na “res pública” e pondo todos os seus diferentes carismas ao serviço da comunidade.
Jesus Cristo com a sua vida pública e o seu sacrifício disse-nos qual é o verdadeiro Caminho, qual é a única Verdade e a verdadeira Vida, ensinou-nos sem qualquer dúvida quem é o nosso próximo que deve ser o objecto da nossa entrega.
Nós, os cristãos, devemos ser o exemplo para todos os que vivem a nossa volta, da humildade, da solidariedade, de vivência do Amor pleno.
Assim se pode colaborar com êxito na construção dum outro mundo de Paz e Justiça, onde a pobreza não reine e onde a fome e a guerra sejam banidas.
Assim, no respeito pela tradição, teremos de ser menos ritualistas e mais inseridos no mundo, e mais presentes e protagonistas da oportunidade da mudança que se exige neste momento decisivo.
Mário Moura
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Solidariedade fudamental
É também importante que um dos objectivos da nossa Solidariedade diária, seja estar alerta para com alguns oportunistas que aproveitando a tão falada Crise Mundial, decidem encerrar empresas de uma maneira fraudulenta, aproveitando para mandar mais uns quantos trabalhadores para o desemprego, ou então tornar a vida deste num verdadeiro inferno todos os dias.
É preciso estar verdadeiramente alerta e ter coragem de denunciar estas situações.
VRP
É preciso estar verdadeiramente alerta e ter coragem de denunciar estas situações.
VRP
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Crise e oportunidade
A crise que estamoa a viver, cujos contornos nenhum de nós poderá desenhar, vai gerar sofrimento a muita gente. É preciso ter consciência disso. E como em todas as crises, alguns - talvez a maioria -vão sofrer mais fortemente os seus efeitos. Se isto é verdade, não deveremos desde já pensar em iniciativas de solidarieadade para minimizar as carências elementares de muitos. Porque não pensarmos em reactivar o Fundo de Solidariedade que em tempos já existiu na zona de Setúbal?
António Soares
Na lingua Chinesa Crise e Oportunidade são a mesma palavra.
António Soares
Na lingua Chinesa Crise e Oportunidade são a mesma palavra.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
“Verdadeiramente a actual crise não é dos bancos e de algumas empresas em dificuldades – o que se desmoronou foi o neoliberalismo, e a melhor maneira de enfrentar a crise é avançar com mudanças sociais.
Não é reduzir gastos públicos ou investimentos sociais, mas sim, é hora de os aumentar, pois melhorar a vida dos pobres vai ter um efeito macroeconómico positivo, faz a economia crescer e diminuir muito sofrimento.
E não será preciso ser cristão para aceitar isto, basta pensar nos outros e nos seus problemas, basta ser solidário e não egoísta!”
Ou não será assim?
Não é reduzir gastos públicos ou investimentos sociais, mas sim, é hora de os aumentar, pois melhorar a vida dos pobres vai ter um efeito macroeconómico positivo, faz a economia crescer e diminuir muito sofrimento.
E não será preciso ser cristão para aceitar isto, basta pensar nos outros e nos seus problemas, basta ser solidário e não egoísta!”
Ou não será assim?
Um cidadão empenhado -
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