sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um escrito muito importante para se perceber o que se passa na Guiné-Bissau


Porque Considero importante para compreender o que se passa "Hoje" na Guiné-Bissau,  aqui fica o escrito enviado por  Luis Nabais, ainda que como ele diz, sem pedido de autorização para enviar a amigos.

Vitor  Pereira


UM ESCRITO DO EX-EMBAIXADOR NA GUINÉ, DR.FRANCISCO H DA SILVA.

MUITO BOM

(AO FRANCISCO, AINDA QUE SEM PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA ENVIAR A AMIGOS, QUE POR LÁ ESTIVERAM,UM ABRAÇO)

LUIS NABAIS

Para compreender a situação actual na Guiné-Bissau, algumas ideias-chave, numa brevíssima síntese:

Num Estado-falhado sem quaisquer tradições democráticas dignas desse nome, estamos perante uma reacção intempestiva por parte de um sector da caserna, maioritariamente balanta, a atitudes mais musculadas de Carlos Gomes Jr., ex-Primeiro-ministro e candidato presidencial mais votado, designadamente quando clamava por uma expressiva presença militar angolana  no terreno, como garante (ou bóia de salvação) das débeis instituições guineenses. Na Guiné-Bissau, o Poder está, como sempre esteve, nos canos das espingardas e os balantas (30% da população), arredados do Poder, a bem ou a mal, desde os tempos da luta e no período pós-independência, por "Nino" Vieira e pelos seus próximos, aspiram a aí ascenderem em pleno e a beneficiarem materialmente de todas as benesses de que outros já usufruíram, no passado. Kumba Ialá, balanta, ex-Presidente da República, afastado por um golpe de Estado, deverá, agora, sentar-se na cadeira presidencial (ou se não o puder fazer já, fá-lo-á por interposta pessoa, aguardando melhores dias) através deste novo golpe de Estado. Vingança do chinês. O caminho, de ora em diante,  estará, pois, aberto.
No país miserável que é a Guiné-Bissau, os militares golpistas vão poder comer não só as migalhas sobrantes do fraco orçamento guineense e do que houver da cooperação internacional, mas, principalmente, do lucrativo tráfico de droga. O PAIGC já não existe há muito tempo, desde que foi desmantelado por "Nino" Vieira e esfrangalhado pela tropa. A sua pretendida recomposição com Malan Bacai Sanhá e, agora, com Carlos Gomes Jr. não foi mais que uma miragem. Pretende renascer das cinzas e resistir. Conseguirá? Nesta matéria, tenho as mais fundadas dúvidas


A aposta decidida no tribalismo, que, aliás, não é de hoje, num país, do tamanho da Bélgica, com mais de 30 etnias e 22 línguas nacionais, tal como preconizada por Kumba Ialá, António Injai e pelos golpistas dará origem, a médio ou a longo prazo, a um inevitável banho de sangue. 

E quem é que tem influência na Guiné-Bissau, Portugal? A França? Ou a Colômbia dos senhores da droga?

 O tempo, como é óbvio, confirmará ou infirmará estas teses e dará resposta às questões suscitadas.
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L.Nabais

sábado, 7 de abril de 2012

O CONCILIO VATICANO II


O Concilio Vaticano II faz 50 anos e nele se depositaram enormes esperanças de que fosse o início duma nova época para a Igreja Católica.
Neste aniversário de tão importante acontecimento gostaríamos de fazer algumas considerações.
O Concilio, a sua preparação e os seus documentos que progressivamente iam vendo a luz do dia, foram prejudicados no nosso país pelo regime político totalitário que nos governava à época com uma censura rigorosa que não permitia sequer que tais documentos fossem discutidos ou comentados – nessa época era director dum jornal e senti bem essa inibição.
Mas, alguns anos depois, pela revolução do 25 de Abril, foi abolida a censura e os portugueses ficaram livres de ler e comentar toda a documentação saída do Concílio.
E agora, passados mais de trinta anos sobre esta liberdade de pensamento, parece-me oportuno apreciar o que o “Vaticano II” mudou na nossa Igreja, ao apreciarmos as suas “bodas de ouro”.
E numa análise retrospectiva deste tempo decorrido, sinto com mais evidência as “travagens” de João Paulo II, do que os “avanços” que os documentos conciliares deviam ter provocado na vida dos cristãos.
Para alem dos aspectos formais – importantes certamente – da celebração da eucaristia em português e do celebrante encarando os seus fieis ou duma maior liberdade no vestir dos sacerdotes, vejo que a Igreja, 50 anos passados, continua uma instituição monárquica e não democrática, que as mulheres que têm conquistado a sua autonomia na sociedade continuam a ser descriminadas, que o Índex continua a existir bem com teólogos a serem penalizados por delito de opinião e vejo um muito débil sinal dum comportamento caritativo que devia ser forte e evidente, sinal de Amor transformador como foi a vida de Jesus – o Verbo encarnado –, um evidente testemunho de dádiva “até ao sangue”.
Nesta quadra quaresmal, nós, cristãos, devíamos rever em profundidade a nossa maneira de servir a comunidade e – no nosso caso português (e não só!) – debatermos porquê, e como, chegou a nossa sociedade a esta situação de individualismo egoísta, de mercantilização quase total da vida, de carência ou desvalorização do AMOR cristão, e de exclusão e pobreza de tantos.
Se “o outro, nosso irmão” fosse o centro da vida da sociedade em que temos vivido, estaríamos certamente à beira de celebrar, hoje, uma verdadeira PÁSCOA.

Mário da Silva Moura