Porque Considero importante para compreender o que se passa "Hoje" na Guiné-Bissau, aqui fica o escrito enviado por Luis Nabais, ainda que como ele diz, sem pedido de autorização para enviar a amigos.
Vitor Pereira
UM
ESCRITO DO EX-EMBAIXADOR NA GUINÉ, DR.FRANCISCO H DA SILVA.
MUITO
BOM
(AO
FRANCISCO, AINDA QUE SEM PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA ENVIAR A AMIGOS, QUE POR LÁ
ESTIVERAM,UM ABRAÇO)
LUIS
NABAIS
Para compreender a situação actual na Guiné-Bissau, algumas ideias-chave, numa brevíssima síntese:
Num Estado-falhado sem quaisquer tradições democráticas dignas desse nome, estamos perante uma reacção intempestiva por parte de um sector da caserna, maioritariamente balanta, a atitudes mais musculadas de Carlos Gomes Jr., ex-Primeiro-ministro e candidato presidencial mais votado, designadamente quando clamava por uma expressiva presença militar angolana no terreno, como garante (ou bóia de salvação) das débeis instituições guineenses. Na Guiné-Bissau, o Poder está, como sempre esteve, nos canos das espingardas e os balantas (30% da população), arredados do Poder, a bem ou a mal, desde os tempos da luta e no período pós-independência, por "Nino" Vieira e pelos seus próximos, aspiram a aí ascenderem em pleno e a beneficiarem materialmente de todas as benesses de que outros já usufruíram, no passado. Kumba Ialá, balanta, ex-Presidente da República, afastado por um golpe de Estado, deverá, agora, sentar-se na cadeira presidencial (ou se não o puder fazer já, fá-lo-á por interposta pessoa, aguardando melhores dias) através deste novo golpe de Estado. Vingança do chinês. O caminho, de ora em diante, estará, pois, aberto.
No país miserável que é a Guiné-Bissau, os militares golpistas vão poder comer não só as migalhas sobrantes do fraco orçamento guineense e do que houver da cooperação internacional, mas, principalmente, do lucrativo tráfico de droga. O PAIGC já não existe há muito tempo, desde que foi desmantelado por "Nino" Vieira e esfrangalhado pela tropa. A sua pretendida recomposição com Malan Bacai Sanhá e, agora, com Carlos Gomes Jr. não foi mais que uma miragem. Pretende renascer das cinzas e resistir. Conseguirá? Nesta matéria, tenho as mais fundadas dúvidas
A aposta decidida no tribalismo, que, aliás, não é de hoje, num país, do tamanho da Bélgica, com mais de 30 etnias e 22 línguas nacionais, tal como preconizada por Kumba Ialá, António Injai e pelos golpistas dará origem, a médio ou a longo prazo, a um inevitável banho de sangue.
E quem
é que tem influência na Guiné-Bissau, Portugal? A França? Ou a Colômbia dos
senhores da droga?
O
tempo, como é óbvio, confirmará ou infirmará estas teses e dará resposta às
questões suscitadas.
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L.Nabais
