sábado, 7 de abril de 2012

O CONCILIO VATICANO II


O Concilio Vaticano II faz 50 anos e nele se depositaram enormes esperanças de que fosse o início duma nova época para a Igreja Católica.
Neste aniversário de tão importante acontecimento gostaríamos de fazer algumas considerações.
O Concilio, a sua preparação e os seus documentos que progressivamente iam vendo a luz do dia, foram prejudicados no nosso país pelo regime político totalitário que nos governava à época com uma censura rigorosa que não permitia sequer que tais documentos fossem discutidos ou comentados – nessa época era director dum jornal e senti bem essa inibição.
Mas, alguns anos depois, pela revolução do 25 de Abril, foi abolida a censura e os portugueses ficaram livres de ler e comentar toda a documentação saída do Concílio.
E agora, passados mais de trinta anos sobre esta liberdade de pensamento, parece-me oportuno apreciar o que o “Vaticano II” mudou na nossa Igreja, ao apreciarmos as suas “bodas de ouro”.
E numa análise retrospectiva deste tempo decorrido, sinto com mais evidência as “travagens” de João Paulo II, do que os “avanços” que os documentos conciliares deviam ter provocado na vida dos cristãos.
Para alem dos aspectos formais – importantes certamente – da celebração da eucaristia em português e do celebrante encarando os seus fieis ou duma maior liberdade no vestir dos sacerdotes, vejo que a Igreja, 50 anos passados, continua uma instituição monárquica e não democrática, que as mulheres que têm conquistado a sua autonomia na sociedade continuam a ser descriminadas, que o Índex continua a existir bem com teólogos a serem penalizados por delito de opinião e vejo um muito débil sinal dum comportamento caritativo que devia ser forte e evidente, sinal de Amor transformador como foi a vida de Jesus – o Verbo encarnado –, um evidente testemunho de dádiva “até ao sangue”.
Nesta quadra quaresmal, nós, cristãos, devíamos rever em profundidade a nossa maneira de servir a comunidade e – no nosso caso português (e não só!) – debatermos porquê, e como, chegou a nossa sociedade a esta situação de individualismo egoísta, de mercantilização quase total da vida, de carência ou desvalorização do AMOR cristão, e de exclusão e pobreza de tantos.
Se “o outro, nosso irmão” fosse o centro da vida da sociedade em que temos vivido, estaríamos certamente à beira de celebrar, hoje, uma verdadeira PÁSCOA.

Mário da Silva Moura

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