sábado, 23 de novembro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Uma Igreja Pobre para os Pobres

Tem ecoado pelos meios de informação esta afirmação do novo Papa, Francisco, e dela 
se têm tirado as mais diversas ilações.

O novo Bispo de Roma ao recusar todos os sinais tradicionais de poder, ao vestir com 
simplicidade, ao recusar os aposentos sumptuosos do Vaticano e tendo a preocupação de 
conviver com todos aqueles que o rodeiam, incluindo, em especial, as multidões que se 
acumulam na Praça de S. Pedro, dá testemunho da verdade do seu querer iniciar uma 
verdadeira mudança na Igreja Católica Romana.

Teremos de aguardar o resultado da acção das comissões que nomeou para a reforma da 
Cúria e até do Banco do Vaticano, acusados de verdadeiramente deterem o poder do 
governo de Roma e de serem sede de algumas irregularidades.

A ida de Francisco ao Rio de Janeiro abre enormes expectativas, agora mais serias - o 
que vai dizer á juventude, a sua ida a uma favela, como comentará a agitação actual que 
se vive na sociedade brasileira, agitação que põe em cheque os contrastes das nossas 
sociedades com apoio aos ricos e detentores do capital, mantendo sem voz activa os 
pobres e desprotegidos, para não falar em explorados.

A nossa Igreja tem uma história de séculos de não dar voz aos pobres. Ora uma Igreja 
pobre e para pobres não pode ser exclusivamente orientada por estudiosos, doutores
técnicos especializados, a maioria sem a verdadeira vivência dos problemas concretos e 
das repercussões emocionais da pobreza no íntimo dos pobres.

E a realidade é que mesmo entre os pastores da nossa Igreja, nas paróquias, nas 
dioceses, tomam os lugares de decisão membros das classes possidentes, endinheiradas 
e que ocupam os lugares de decisão.

Tem sido assim na Europa, e tem continuado assim nos países de outros continentes a 
que se chamam presentemente "países emergentes".

E com o decorrer dos tempos o cristianismo perde força na Europa e cresce nas 
Américas e em África - que certeiro foi o Espírito Santo dando-nos um Papa, "lá de 
longe", da América -Latina!

Mas com será possível dar voz e poder de decisão àqueles a quem Cristo privilegiou 
com as suas preocupações, arrostando com o poder religioso e até civil?

Temos vivido numa ideologia mistificadora da caridade, num romantismo da caridade
quando a Revelação nos ensina que o que está em jogo em toda a existência humana é 
uma escolha a favor ou contra o dom de Deus em Jesus Cristo: o Amor ao próximo em 
toda e qualquer circunstância, sempre, e - como Ele ensinou - até ao sangue se for 
necessário.

Ora o Evangelho não é evidentemente neutro, na medida em que afirma que a existência 
presente histórica, dos homens tem um sentido e deve concretizar-se em atitudes 
práticas e reais (recordemos o cap.25 de S.Mateus) - é sobre o comportamento prático 
que seremos julgados.

Ora os povos das cidades brasileiras andam agitados pedindo mais justiça na 
distribuição dos bens, melhor aplicação das riquezas em favor da saúde, do ensino ou da 
habitação e não em obras sumptuosas.

E os imperativos do Amor e da solidariedade tomam inadiáveis profundas mudanças 
sociais - e estamos no campo da política!

Estas considerações a propósito da visita do Papa 
Francisco ao Brasil colocam um problema existente também entre nós, desde sempre, e 
em especial na crise que estamos a viver - é urgente uma verdadeira revolução social 
em que os pobres sejam ouvidos e tenham voz própria - é hora da nossa Igreja começar


a evoluir e mudar e a dirigir-se ás origens.                  

MARIO DA SILVA MOURA 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

As premonições de Natália

"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reacionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas ruturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir"."

Natália Correia
Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993

Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Colóquios á Sexta


            Dr. Guilherme de Oliveira Martins
     Juiz Conselheiro,  Presidente do Tribunal de Contas
    28  de Junho de  2013 na sala da Biblioteca Municipal de Setúbal


Aqui fica portanto o filme do que se passou.
 Esperamos a vossa análise e os vossos comentários.



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Imperativo de mudança

Estamos a viver no momento actual dois acontecimentos notáveis que devem ser objecto de nossa reflexão. NOVO BISPO DE ROMA Desde há cerca de um mês a comunidade cristã católica tem um novo Bispo de Roma, um novo ocupante da “cadeira de Pedro”, o Papa Francisco. Anda o mundo católico expectante - e mesmo algo surpreendido - com os sinais que dele nos chegam, do possível renascimento duma verdadeira Igreja evangélica. Uma Igreja pobre e para os pobres. Francisco deixa de fora as pompas, cultiva a simplicidade e os seus gestos e atitudes, falam-nos do desejo de se aproximar do “povo de Deus”, de ser o verdadeiro pastor do seu rebanho. Será que a base social da Igreja passará dos detentores de poder para os pobres que passarão a ter uma palavra a dizer? Tal mudança é essencial, nos dias de hoje, com o número de crentes na Europa a diminuir, com uma civilização tecnológica, globalizada e secularizada contestando a sacralização da vida e com a secundarização dos fieis e até de bispos, uma Igreja com graves problemas atingindo o prestígio e a honorabilidade de muitos sacerdotes, e com o domínio duma Cúria onde se começam a conhecer lutas de poder e até sinais de corrupção. Com o facto inédito da resignação dum papa, com a proliferação de seitas e de sintomas de religiosidade aberrantes, e sentindo a necessidade de se adaptar aos novos continentes em crescente desenvolvimento, e de culturas tão diferentes da europeia, a Igreja necessita de mudanças e de orientações mais condizentes com a vivência de Jesus Cristo. Ainda próximo do cinquentenário do Concílio Vaticano II, constatamos que muitas das suas recomendações têm sido verdadeiramente esquecidas, quando não, mesmo contrariadas. Estamos perante um imperativo de mudança, até porque vivemos uma tremenda crise no nosso País, na Europa e no Mundo, uma crise económico-financeira com as inevitáveis consequências sociais e éticas, uma verdadeira crise de valores, ou melhor, uma crise do “sistema” pelo qual nos regemos há cerca de um século. Um “sistema” que tem aumentado a produção de riqueza, mas que a concentra em poucas mãos, usando o motor do lucro, em vez da solidariedade. Mercantiliza o trabalho, sacrifica a própria natureza e gera imensos pobres e excluídos. É isto, o capitalismo que, mais que um sistema económico, é uma concepção de vida que inibe as liberdades e que “esmaga” os pobres. Esta situação está a exigir que os princípios evangélicos sejam propagados nas sociedades clamando por “uma Igreja dos pobres para os pobres” como proclama o Papa Francisco. 50 ANOS DA «PACEM IN TERRIS» Comemoram-se, igualmente, os cinquenta anos da Encíclica de João XXIII , a “Pacem in Terris”,( na sequencia da Mater et Magister) a qual veio introduzir na Doutrina Social da Igreja o imperativo da Paz mundial, proclamar a necessidade da Igreja ouvir o Mundo e os “sinais dos tempos”, não para os condenar mas para dialogar e, a partir deles, compreender e tornar a acção da igreja mais actualizada e ao serviço de todos “os homens de boa vontade”. Esta encíclica veio enriquecer a Doutrina Social da Igreja com uma dimensão mais global, alargando as suas preocupações a toda a humanidade, trazendo-nos, assim, igualmente um imperativo de mudança , pois anteriormente as encíclicas eram orientações doutrinárias que não tornavam tão explícita a promoção dos pobres e a distribuição da riqueza , “que foi dada a todos” . Centrar a ação dos cristãos na prática da solidariedade e no “cuidar dos outros”, valorizar o trabalho e humanizar as estruturas da sociedade – é a isto o que se chama política E a política tem por objectivo ultrapassar a violência e promover o diálogo e a reconciliação entre os homens. Não esqueçamos que o Evangelho não é neutro, visto que define o sentido da História dos homens. A luta pelo Reino de Deus, aqui e agora, exige a análise do terreno e a aplicação duma teoria política baseada no amor e na solidariedade que, como aconteceu com Jesus, leva a uma verdadeira revolução social que nasce dum desejo de justiça, de dignidade e de liberdade. A crise do “sistema” tem evoluído em constante deterioração das condições de vida das populações, provocando, entre nós, taxas de desemprego nunca atingidas, falências, dívidas e incumprimentos em número assustador e com difícil solução. E esta crise dos países do sul da Europa mina, já, e gravemente, outros de maior dimensão e abocanha os maiores países europeus. O nosso mundo necessita de uma melhor distribuição da riqueza e uma verdadeira promoção dos pobres, a ser levada a efeito pelos que queiram seguir os princípios e as orientações da “Pacem in Terris” , cujos 50 anos comemoramos. A nossa sociedade está necessitando duma mudança urgente. AO JEITO DE CONCLUSÃO O momento grave que atravessa a Igreja de Cristo, agora com a esperança do novo Papa Francisco; e a efeméride da “Pacem inTerris”, trazendo á actualidade todo o seu conteúdo, verdadeiramente inovado na Doutrina Social da igreja, são dois acontecimentos a exigirem uma mesma solução: um imperativo de mudança! O Mundo está a necessitar que os cristãos marquem a sua diferença na maneira de viver e na denúncia de tantas directrizes políticas erradas e que têm conduzido os povos ao sofrimento, à perda da esperança e a deixarem-se impregnar por orientações meramente economicistas, hedonistas e individualistas. E Deus não nos julgará pelo que dissermos e prometermos ou mesmo pelo que denunciarmos, mas pelo que fizermos: “Viste-Me nú (…) viste-Me doente (…), viste-Me pobre (…) e não Me ajudaste!”- (Mat. 25). É necessário que nós, que nos dizemos cristãos, demos uma resposta, no dia a dia, nas instituições, no governo da “polis”. Este mundo, este País, necessita imperiosamente de mudança, de sinais nítidos e numerosos de solidariedade, de interesse pelo cuidar dos outros, de apoio aos pobres, aos excluídos, aos desempregados, Necessita imperiosamente de mudar as orientações que levam à corrupção e ao sectarismo, e isso só é possível com “homens novos”, reconhecidos pelo “ser” e não pelo “ter”, que amem e sirvam desinteressadamente o seu próximo e se misturem como fermento na massa, e não se divorciem da vida das instituições que traduzem a organização da sociedade em que nos integramos – e isto é acção política! A Comissão Justiça e Paz de Setúbal, perante esta situação e estes factos notáveis que surgem na nossa sociedade e na nossa Igreja - o conjunto do Povo de Deus e os seus pastores- não podia deixar de fazer esta reflexão e levar os nosso irmãos a acompanharmo-nos nesta análise e a pensar na única solução que sugerimos: A necessidade imperiosa de mudar maneiras de ser, maneiras de nos conduzirmos, de assumirmos compromissos, maneiras de atuar nesta sociedade doente. “Sentir o cheiro das ovelhas”do rebanho, só possível com grande contacto e com uma vivência em comum com os nossos irmãos. Comissão Diocesana Justiça e Paz Setúbal, Abril de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Concílio Vaticano II

Na próxima quarta-feira dia 6 iremos ter mas um Colóquio da serie Colóquios á Sexta. Desta vez teremos a presena do Dr. José Eduardo Valnte Jorge de Pinho.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Será Jesus Cristo uma causa perdida?

1.Neste Natal, D. Manuel Martins voltou a mostrar que não está cego, nem surdo, nem mudo. Declarou, a vários órgãos de comunicação social, que os actuais governantes não estão à altura do momento. Constituem um executivo mal alinhavado. O resultado está à vista: grande parte da população foi lançada no escuro do desespero e vive dominada por mil ditaduras. Tem medo de hoje e de amanhã, de perder o trabalho, de não poder resolver os seus problemas e de ter de deixar a sua casa. Sente-se no fundo de um poço e sem dinheiro para a corda que a puxe para cima. Este bispo não isolou a desorientação caseira do sistema predominante no Ocidente, “uma espécie de religião fundamentalista seguida pelos poderosos que passam a vida ajoelhados diante do lucro e do dinheiro”, esperando alargar, cada vez mais, a sua dominação financeira, sem olhar para o que poderia ser o verdadeiro interesse público. Nessas declarações, a Igreja Católica também não foi poupada: anda atrasada e, em Portugal, está a falhar metade da sua missão. Nenhum católico está obrigado a concordar nem com o diagnóstico, nem com a terapêutica que D. Manuel Martins propõe para sairmos do buraco que, dia a dia, se apresenta mais fundo. Como poderia ele, no seu retiro de bispo aposentado, virar as costas ao clamor da “miséria imerecida” do povo português? Começam, agora, as dificuldades para responder ao título desta crónica. Hoje, só um ignorante se atreveria a negar a existência histórica de Jesus de Nazaré. Só alguém muito inconsciente pode dizer que sabe não só por que lhe chamaram, e continuam a chamar, Cristo, Messias, Filho de Deus, Filho do Homem, mas, sobretudo, o que é que verdadeiramente isso significa de vital para o nosso dia-a-dia. 2. São muitos os testemunhos escritos que as primeiras comunidades de discípulas e discípulos de Cristo nos deixaram. Lendo, relendo e estudando-os, a impressão que nunca me abandona é esta: Jesus não cabe nos textos do Novo Testamento, nem nas fórmulas dogmáticas e cristologias elaboradas, ao longo de dois mil anos. Falam sempre de alguém que lhes escapa. Todas as narrativas e todo o jogo de títulos, disponíveis e imagináveis, que lhe são atribuídos são sempre roupa muito curta para o vestir. Dá-me sempre vontade de rir quando me perguntam: mas ele era Deus? Respondo sempre, da forma mais ortodoxa: verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Fico aflito quando as pessoas sossegam com a resposta. Ninguém conhece o mistério absoluto que Deus é, nem o mistério que o ser humano é para si mesmo. A intervenção de Jesus não desfez o mistério, revelou a sua insondável profundidade. Nos Actos dos Apóstolos, Pedro, chamado a explicar-se por que teimava em actuar em nome de Jesus Cristo Nazareno, teve uma resposta atrevida: “porque não há sob o Céu outro nome, dado aos seres humanos, pelo qual devemos ser salvos” (Act. 4, 12). Isto parece uma apologética barata e de mentalidade exclusivista: a verdade e o bem são propriedade nossa e só nossa. Se assim fosse, estaríamos no mercado da concorrência das religiões. Nada disto tem a ver com o que, de facto, se passou com Jesus e por que motivo uma estranha coligação – dos chefes das nações pagãs e dos povos de Israel –, o levou à cruz. Jesus não tinha trazido ao mundo nenhuma ciência, nem nenhuma técnica que pudessem ser reproduzidas para o progresso da humanidade. O seu contributo, nesse campo, é nulo. Então por que será que Pedro o tem por indispensável e insubstituível? A intervenção e a palavra de Jesus estavam centradas em ajudar a descobrir o essencial: que haverá de mais humano em qualquer ser humano que ninguém tem direito de ofender, quer por razões do Céu, 3. quer da Terra? Ele descobriu e denunciou dois poderes geradores de permanente dominação desumanizadora: a religião e o dinheiro. O seu combate às formas e preceitos mais sagrados da religião em que foi educado valeu-lhe uma desautorização completa. a instituição mais sagrada do seu povo (Mt. 12, 22-32). Ninguém pode servir a Deus e ao Dinheiro. Esta sentença é muito repetida e esquecida. Já os fariseus, amigos do dinheiro, zombavam da incompetência financeira de Jesus (Lc. 16, 14). É, no entanto, muito possível que o Nazareno continue a ter razão. Quem estiver possuído pela vontade de ter cada vez mais dinheiro, mais poder de dominação, quem se deixar possuir pelo lucro a qualquer preço, pelo perverso prazer de ter dinheiro, quem deixar que ele tome conta do seu coração, vive em suprema idolatria. O essencial do ser humano evaporou-se. A gratuidade do dom que Deus é e à imagem do qual o ser humano se realiza como humano, desapareceu do horizonte. Não me parece nada que Jesus seja uma causa perdida. Penso o contrário. As civilizações humanas são feitas da construção de impérios de dominação e do estrondo da sua ruína. Quando se esquece que todas as ciências, técnicas e formas de desenvolvimento só valem na medida em que servem o que não tem preço, o que não é meio para algo mais valioso, perdese o essencial. Por Frei Bento Domingues Jornal Público