Toda a liturgia do Advento falou aos cristãos da vinda de Deus até nós para recompensar os que seguiram as suas determinações.
Toda a liturgia nos foi falando duma vinda gloriosa de Deus sobre a humanidade, fazendo um enérgico apelo a que estejamos preparados para essa chegada.
Todos os textos das várias celebrações tiveram esta tonalidade dum Deus que vem de fora, de algures, para julgar e recompensar uns e condenar outros.
E apresentou-nos descrições e previsões dum mundo todo ele impregnado de mal e de depredações que Deus vem repor no Caminho correcto e saudável.
Será bom que nesta quadra natalícia pensemos nas interpretações duma liturgia que nos dá a noção de que a Salvação deste Mundo em que vivemos , e que atravessa uma fase de guerras, maldades, corrupções, doenças e agressões à própria natureza, há-de chegar um dia de fora, de fora do coração dos homens, quando é pela sua má conduta, pelo seu esquecimento da vida de Jesus, pelo seu individualismo e falta de solidariedade e amor que o mundo está na situação em que está, sendo portanto o próprio homem que tem de abrir-se ao Amor para transformá-lo, com a força do Espírito
Pensemos numa única realidade, a de que é no coração dos homens que se tem de operar a grande conversão, que é o coração dos homens que tem de se encher de Amor pelo próximo , nosso irmão, nesta quadra e sempre, em todas as circunstâncias e épocas – e será verdadeiro e permanente Natal.
No Natal, acenderam-se luzes nas ruas dos quatro cantos do mundo, deram-se prendas e desejaram-se festas cheias de felicidade numa tentativa de incutir de fora para dentro um sentimento de alegria que deverá caracterizar, ou deveria caracterizar, a vinda do Amor à vida dos homens, esquecendo todo um esforço que tem de ser feito, de dentro para fora, por cada um dos que nos dizemos cristãos.
E no Natal esquecem-se ódios, dão-se bodos aos pobres e aos que têm fome, para depois voltar tudo à mesma situação se essa alegria não irradiar de cada um de nós, se não for verdadeira e genuína – e só assim será verdadeiro Natal.
Jesus, de quem celebrámos simbolicamente o nascimento, é a incarnação do Verbo, “a imagem de Deus invisível” (Col.1,15), o Deus feito homem, e veio para nos ensinar com o Seu exemplo como deveríamos estar na vida e como nos devíamos comportar para com os outros homens que declarou nossos irmãos – e deu-nos a medida desse Amor que devia caracterizar a todos os que quisessem seguir as suas orientações : ELE era o único Caminho, a única Verdade e a única forma de Vida, dando-nos como medida uma entrega total , até ao sacrifício da nossa própria vida!
Não esperemos portanto que Algo tenha vindo de fora e pensemos – isso sim – numa verdadeira conversão ao Amor total, já que Deus é o Amor, e o único mandamento que nos deixou foi (é ) amá-LO a ELE e ao nosso irmão como a nós mesmos.
E isso é que é NATAL!
Mário Moura
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
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