sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Está o nosso Planeta Terra condenado a desaparecer?

Esta é uma pergunta que vem sendo feita há vários anos e cujas respostas vão ganhando tons cada vez mais dramáticos com a proliferação de estudos ambientais e as palavras preocupadas dos especialistas.
A realização da Conferência Mundial sobre o Clima, que se realizará em Copenhaga (Dinamarca) no próximo dia 13 de Dezembro, vai trazer para as primeiras páginas dos jornais muitas das questões no âmbito da ecologia que andam um tanto adormecidas, na opinião pública, noutros momentos.
Torna-se interessante, por tudo isto, reflectir sobre o pensamento do Teólogo brasileiro Leonardo Boff expresso numa recente entrevista concedida recentemente à E-Changer (ONG com sede na Suíça).
Lembra o teólogo que em 2003 foi publicada Carta da Terra, elaborada por especialistas de todo o mundo, onde se lia: «Estamos num momento crítico da Terra e no qual a humanidade deve escolher o seu futuro. E a opção é esta: ou se promove uma aliança global para cuidar de nós e da Terra ou arriscamos a nossa destruição e a devastação da diversidade da vida».
Hoje, quase no final da década, muitos indicadores científicos apontam para a irrupção de uma tragédia ecológica e humanitária, que leva Leonardo Boff a concluir que nada de essencial mudou desde 2003. E acrescenta: «consome-se mais que a terra suporta».
Actualmente, a Humanidade confronta-se com três crises estruturais: a crise devida à falta de sustentabilidade do planeta, a crise social mundial e a crise do aquecimento crescente. E o teólogo brasileiro exemplifica: «a nível social 20% dos mais ricos consomem 82,49% de toda a riqueza da terra e os 20% mais pobres têm de contentar-se com um minúsculo 1,6% dessa riqueza». No que respeita ao aquecimento Boff cita fontes da FAO/ONU para afirmar que nos próximos anos haverá 150 a 200 milhões de refugiados climáticos. Em 2035 a temperatura da terra aumentará 4 graus Centigrados e especula-se que no final do século poderá aumentar 7 graus . Se isto acontecer nenhum tipo de vida hoje conhecido poderá sobreviver.
Em relação à sustentabilidade, lembra Leonardo Boff «a humanidade está a consumir 30% mais que a capacidade de reposição de bens. Quer dizer, consome-se mais de 30% do que a terra pode repor». Esta utilização desenfreada dos recursos disponíveis tem crescido nos últimos anos. Segundo estudos credíveis, em 1961 precisávamos de metade da terra para satisfazer as necessidades humanas; em 1981era necessário a terra inteira; em 1995 ultrapassava-se em 10% a capacidade de reposição; em 2008 esse valor é de 30%. O teólogo conclui: «a terra está a dar sinais de que não aguenta mais».

Perspectivas futuras
Dizem os especialistas que se o Produto Interno Bruto Mundial crescer entre 2 a 3% ao ano, como está previsto, em 2050 serão necessários dois planetas terras para dar resposta ao consumo mundial. Esta constatação implica que, como refere Leonardo Boff: «Não podemos produzir como o temos feito até aqui… a terra não é um grande baú do qual se podem sacar recursos indefinidamente… Hoje é claro que a terra é um planeta pequeno, velho e limitado que não suporta uma exploração ilimitada… Temos que adoptar outra forma de produção e assumir hábitos de consumo distintos. Produzir para responder às nece4ssidades humanas em harmonia com a Terra, respeitando seus limites, com um sentido de igualdade e solidariedade com as gerações futuras. Este é o novo paradigma da civilização».
A Conferência de Copenhaga, que ocorrerá em Dezembro e cujas perspectivas não são optimistas por falta de acordos prévios, deve ter em conta é necessário fazer tudo para estabilizar o clima, evitando que o aquecimento da terra seja maior que 2 a 3 graus e assim, a vida possa continuar. «Preocupa-me - refere Boff – um cenário de irresponsabilidade de muitos Governos, especialmente dos países ricos, que não querem estabelecer metas consistentes para a redução de emissões de gases de efeito estufa e salvar o clima».
Questionado sobre as bases de um programa comum para salvar a Terra, o teólogo brasileiro não hesita: «É necessário impulsionar uma bio-civilização que deve promover quatro eixos essenciais:
«1 - Uso sustentável, responsável e solidário dos recursos e serviços da natureza;
2 - Controlo democrático das relações sociais, essencialmente sobre os mercados e capitais especulativos;
3 – Criação de uma «ética mundial» que deve nascer do intercâmbio multicultural, matizado na compreensão, na cooperação e na responsabilidade universal
4 - Adopção de uma Espiritualidade, como dimensão antropológica. Esta deve desenvolver-se como expressão de uma consciência que se sente parte de um Todo maior que recebe uma Energia poderosa e que representa o sentido supremo de tudo».
Leonardo Boff conclui o seu pensamento com uma afirmação de esperança: «Apesar dos prognósticos sombrios tenho confiança que a esperança vencerá o medo e que a vida é mais forte que a morte».

Leonardo Boff

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