A crise económica, financeira e social que se sente um pouco por todo o mundo e, naturalmente em Portugal, está a fazer o seu caminho. Alguns já vislumbram uma luz ténue no fundo do túnel. Deus permita que tenham razão.
No contexto actual que é marcado por incerteza face ao futuro, têm-se acentuado em Portugal um clima de grande desconfiança entre os portugueses, como reconhecia o Professor Adriano Moreira numa conferência recente em Lisboa.
Hoje, desconfiamos de tudo. Desconfiamos das instituições que não há muito as considerávamos quase sagradas. Desconfiamos do Poder, desconfiamos das Oposições. Desconfiamos da Justiça e dos Tribunais. Desconfiamos do Centros de Saúde e dos Hospitais. Desconfiamos dos Órgãos de Controlo e de Supervisão. Em suma desconfiamos uns dos outros.
Essa desconfiança que nos invade é depois responsável por um clima de crispação que atinge a nossa forma de nos relacionarmos com terceiros. A desconfiança generalizada faz nascer grupos competitivos e aguerridos que procuram recrutar os seus prosélitos. Da desconfiança individual passamos à desconfiança grupal. E muitos, impregnados da ideologia do grupo a que pertencem tornam-se «cegos» e incapazes de juízos críticos.
A Comunicação Social, com o seu poder e a sua força, tem ajudado a incrementar a divisão, já que só é apetecível a notícia que choca e que gera «sangue».
Quão longe estamos das sábias palavras do saudoso Papa João XXII no seu testamento: Filhinhos procurai antes o que vos une em vez do que vos separa.
Todos sabemos que o progresso das sociedades exige a colaboração dos cidadãos e vontade de puxar a corda na mesma direcção e sentido.
Quem vai lembrar aos portugueses que a situação actual exige juntar energias, esquecer divergências marginais, apostar no essencial, em vez de perder tempo com o acessório.
E os Cristãos? Serão que o Evangelho não os impele para dar um contributo para a pacificação da sociedade à maneira de S. Francisco de Assis.
Ainda poderemos chamar aos Cristãos Homens e Mulheres de Esperança?
AS
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